30 janeiro, 2008

MANHÃ


Cada manhã de um livro
Nova página de um desafio
(é quando me encontro mais velho)
Com o espelho digladio

No afã de constatar-me vivo
De encarar minha alma
Auscultá-la, espreitá-la,
Seduzí-la a preencher a minha calma
Capturá-la e expor
Suas fragilidades em minha jaula
Digerí-la e degustar
Suas delícias em minha sala
Apreendê-la e moldar
A sua boca à minha fala
E surpreendo-me
Ao recusar enterrá-la.

28 janeiro, 2008

SOMOS O QUE AMAMOS





SOMOS
ISTO OU AQUILO

SOMOS
O QUE DITAM OS CROMOSSOMOS

SOMOS
OS CAMINHOS QUE PERCORREMOS
OS OBSTÁCULOS QUE ENFRENTAMOS
OS DESAFIOS QUE ASSUMIMOS
OS MOMENTOS QUE SOMAMOS

SOMOS
UM MISTO
DISTO, DE SONHOS,
E DAQUILO QUE AMAMOS

14 janeiro, 2008

TRONCOS E MEMBROS


Após
tantos caminhos
a pé corridos,
aos trancos e barrancos,
a pau e pedra,
TRONCOS
idosos deitados
MEMBROS
exitosos
trançados, pendurados,
extenuado de dezembro,
se o acaso tempo me conceda,
lembrar-me-ei
com certeza:
-"Não se exceda"
e minha natureza
salvarei.
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14 dezembro, 2007

BRANCO DA SOMBRA





O corpo indenso
flutua aprisionado
em balanço intenso.

Os braços tisnados
pendem a ilusão,
no vai-vém,
ficar-com, ficar-sem,
guincha-range-assovia.
os pés pedem
chão

Nem mesmo a brisa
esvoaçante magia
catalisa a energia
gerada a esmo

estéril procura
inalcansável textura
alma estagnada
adiante, distante,
pura

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22 novembro, 2007

CARAMELO WIN


Acesa,
Ali, espreita,
Labareda no olhar,
A fantasia suprema,
Enquanto é feita
A divisão salutar
Produto das travessuras.

À mesa,
Infâncias puras,
Faíscam olhares

Incontidos:
Encherão
Cada mão,
De sabores merecidos,
De doces lembranças,
Gostosuras!


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15 novembro, 2007

UM SORRIZOOM



OSSO
RISO
DO O
LHAR
PASSA
PELA
CARA
D'PAU
CASSA
A TRIZ
TEZA
FIXA
O VAL
OR DA
FIBRA

ENSINA
AO DE CIMA
O DE BAIXO
APROXIMA
O LONGE
DO PERTO
FASCINA
O MONGE
E O ESPERTO
APLICA
IMPROVISO
À CONSTÂNCIA
EXPLICA:
ETERNIZO
A INFÂNCIA

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08 novembro, 2007

SOPROS UNIDOS


AGORA

SOMOS
SOPROS
UNIDOS

ALANDO
SONHOS

FLUTUANDO
VIDAS

ESPARGINDO
FÉRTEIS
SILÊNCIOS

ESPALHANDO
UNIVERSOS
COM MÃOS DE FADA

DAQUI A POUCO

UMA CÚMPLICE,
GOSTOSA,
RISADA!
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30 outubro, 2007

ALAR NUS À MARTE


Solitário: calar-me.
Não vôo calado.
.
Voar!?
Só, mente e corpo,
ao teu lado.
.
Asar?
apenas com meu par,
consorte.
.
Ir à Lua?
A partir de plataforma
terna e forte.
.
No céu, no luar,
no amar-te,
alar-me.

.
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27 outubro, 2007

efemeROSES



Vão
em todas as direções
para absorver os mistérios
da luz eterna
escurecem a cor dos dias
para observar a alegria
da terna flor


13 outubro, 2007

10 outubro, 2007

09 outubro, 2007

NASCEI NO CÉU



Assei ao sol
céu sem brisa
sou caliente cor
a seiva periferiza
avança, capilariza
a temperatura interior
contorna, gentil
o frágil brilho
de um renascimento
avença, intento,
desenho em anil
sorriso celeste
da vida o gatilho
estampido de amor
passeio agreste
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06 outubro, 2007

PARa VER MELHOr








Para ver melhor

o par, vermelho

pinto, pigmento,

sobre o fundo escuro

do espanto

trilho o caminho

sangrento, seguro

o brilho afilado

a garra estanca

tenaz retesada

braça-alavanca

15 setembro, 2007

TECLADO VIOLADO






VI O LADO HUMANO
DAS COISAS QUE TOCAM
O CORAÇÃO DO MUNDO.
VI O HALO IRREDUTÍVEL
NO TEU COLO ANGELICAL.
VIL VALORAÇÃO SEM DÓ
HÁLITO DO HINO MATINAL
LÁ, NO CÉU, BUSCA AO REDOR,
DEDILHAÇADO, A DESTREZA,
O BRILHO DE ESTRELA.
VIOLO-TE CALADO!
NÃO CANTO A TRISTEZA;
NÃO CANTO, QUERÊ-LA
SEM HARMONIA, ENCANTO;
SEM SOM, BRADO O PRANTO!


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11 setembro, 2007

A TRAVESSIA DESLANCHA


VEM À TONA
O MOSAICO DA VIDA

DESLIZA NO AZUL ALMA SINA

ONDE O DIA DESMANCHA
A ROTINA

ONDE A NOITE APRISIONA
A LUZ

A TRAVESSIA DESLANCHA
E EMBORA AGRIDA

A LIBERDADE SEDUZ

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28 agosto, 2007

ASCETA SETEIRA

Sair da densa escuridão
A chave está na procura
Nem tudo que arde
cura
Vai sem alarde a solidão
Nem toda seta
fura
Nem toda ponta
espeta
Olhar o sol, norteia a ação
Nem toda pompa
encanta
Nem todo perigo
espanta
Nem todo o calor
greta
As trilhas do coração


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21 agosto, 2007

GUIA fuTURÍSTICO

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LUCILANTES



Semeio lucilantes fios nas bordas
Colho contraste em teu seio sombrio
E, quando acordas, lacrimeja a haste,
Enveredo verde, dócil lume do cio
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11 agosto, 2007

MARIA CONFESSA



Viagem começa
Maria-sem-pressa
A moça confessa
Isso é eco-fumaça
Que sobe em prece
E some prá cima
No máximo passa
Nos olhos das casas
E fixa uma neve
Nas cascas, nas asas,
Nos bancos da praça
.
A moça confessa
é quase um mousse
semeia uma tosse
que, à sesta, cessa
Maria-sem-pressa
Maria-sem-graça
chora, ora, essa
Maria-insossa,
Se é sem fumaça,
Confessa a moça.
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07 agosto, 2007

O INFANTE E A FONTE

A um passo dos desejos
há um lapso de medida
procura a moeda perdida
por culpa de um gracejo
entre o quero e o posso
o que me é dado, o que almejo
entre a indiferença e o gozo
entre o meu, o teu, o nosso,
entre o que sonho e o que vejo
está o destino faustoso
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02 agosto, 2007

ADORMESSIAS

Dorme a ânsia
De enxergar além.
Dorme.
Dorme a ânsia
De chegar ao fim.
Dorme o escuro e, risonho,
Boceja o sonho,
Num arpejo de alegria,
Espreguiça o desejo,
Acorda o dia
Adormecido em mim
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28 julho, 2007

BRILHO-PRÓDIGO


Reflita!
Há tanta coisa bonita
Entre a partida e o destino,
Entre a velhice e o menino.
Há um tanto de inusitado
De impensável, um eito,
Entre a explosão e o calado
Entre a história e a geografia
Um manto de pedra fria
Acolhe um verde penacho
O diferente é aceito
Na constelação de brita
O espanto, no leito, crepita
Entre o romance e o escracho
Há o canto do sol que palpita
Em luz cifrada, em código
Diz: sempre haverá um jeito
No ventre de quem acredita
Que adentre o brilho-pródigo
Do pó entre o chão e o capacho.
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22 julho, 2007

ESCALADA HERÓICA


Nosso herói sabe onde pisa
Nenhum caminho reprisa
à espera que o dia escorra
Na escalada precisa
Ventania é como brisa
Alegria: estar com a cachorra
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