29 maio, 2007

APENADO


























PEÇA.AUXÍLIO
A DEUS,
AO UNIVERSO.
.
OS PÉS
ACENAM
.
DEDOS
MANSOS
MINGUAM
AGUADOS
.
ASSIM, PENSANDO,
SUBMERSO,
SE AFOGAM
OS MEDOS
OS RANÇOS.
.
APÓS O EU ME SACUDO
DE ALMA LAVADA
PROCURE O TUDO
ENQUANTO
NADA

24 maio, 2007

O SOL ESPIA



"Do espelho me valho

para espalhar os olhos

sobre a magia

da vida ereta

que me completa"

Dizia o dia

19 maio, 2007

DESTRAÇADAS



























Traço a traço,

Aptos e rápidos,

Fizeram-te floresta.

Em chamas,

Clamas auxílio.

Destroços,

Descubro o que resta,

Passo a passo

Rumo ao humus,

Ossos, rubro exílio.

.

Foto de obra de Martin Suffert (cores modificadas)

15 maio, 2007

MARCO URBANO



















Imensidade!

Não se alcança o agora,

Na cidade,

Só navega quem ancora!

...

O par, o cão

criança que chora

refri, algodão

barriga de fora

...


O frio na barriga na lomba

O suor que goteja na fronte

O reflexo é a cor que tomba

O barco ermo, o horizonte,

O pássaro na mão, zomba:

Verde ou azul a água da fonte?
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01 maio, 2007

DÁ TRABALHO




HÁ DIA
DE OLHAR

.
HÁ DIA
DE VER

.
ADIA
ENXERGAR

.
O DIA
DE VIVER

.
POIS, É!

DÁ TRABALHO
ACATAR O MUNDO
COMO ELE É.


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30 abril, 2007

HORA HORRENDA









IR, IRA

HORA HORRENDA

ERA VERA

A FARSA, A LENDA

ERRA, ACERTA

NA CONTENDA

CONTA ESPERTA

ARMA A TENDA

PÕE A VENDA

ARA A SENDA

ORA DESERTA

DE OFERENDA

23 abril, 2007

MORADA DAS CORES


O sol a pino
colar de calor
assola os pinus.
Paredes e abrigo
de claro valor
proteção no caminho
assunção do carinho
no portal multicor

18 abril, 2007

JORNADA DE OUTONO

Após o abandono da farda
Inerte desprendimento
Leve e bela queda ao lento
E árduo desígnio que a aguarda
Solarizado fascínio, é alento,
Solidariza à brisa o pigmento
Platônica cor, cuore-mostarda.
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15 abril, 2007

12 abril, 2007

CISTERNA DA ETERNIDADE


Meu planeta,
esfera
vista do espaço,
espera:
para amansar o cansaço,
o fogo celestial;
e o mal não se acometa,
o afago divino.
.
Lâmina ilumina
a dúvida elimina
quando culmino
úvido destino
a gotejar verdades
na cisterna da eternidade
infinitesimal

01 abril, 2007

SE FLORES, IREI


Florir
Rir
Florar
Ir, vir, voltar
Showrar
Enfrentar, fugir
Silenciar, rugir
Cair, flutuar
Fluir, flocar.
.
O portal dos sentidos,
Fugindo do abrigo,
Atravessarei
Se calares
Umidamente
Alares olores
Estrelas candentes
Aos olhos e ouvidos.
.
Se flores,
Contíguo irei

28 março, 2007

FLOR E SER


SOMOS
...MOSAICOS
.
SOMA DOS ANOS
MAÇO DE SENHAS
SÊMEN DE SONHOS
A VERTER
.
SOMOS
...MOSAICOS
.
RABISCOS DE PLANOS
TRAÇOS E TRILHAS
CAMPOS E CAULES
A CRESCER
.
SOMOS
...MOSAICOS
.
O TODO PINCELADO
ESTADO DA ARTE
DIVINA, SINA
A FLORESCER
A ALVORECER
fotomontagem com desenhos e pinturas de Martin Suffert

17 março, 2007

VERACIDADE




A sujeira e o asseio
O próximo e o distante
O trabalho, o passeio
Indiferente, excitante
O belo e o feio
Onde passo sede, bebo
O que peço, o que recebo
O que vejo, o que creio

Haverá
Veracidade
em não
Ver a cidade
com
Olhos alheios?


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15 março, 2007

AVESUAVE


MIÚDAS MOEDAS



O VALOR
DAS PEQUENAS,
MINÚSCULAS
FORTUNAS,
ME DIZIAS.

SOBRE O BREU,
SOÇOBRO EU,
ANTE O FULGOR
RADIANTE
DAS MÍNIMAS
MICRO-VELAS LUZIDIAS,
VAZA-LUMES SEM ASAS.

MILHARES DE OLHARES
MILAGRUMOSOS
EXCEDIAS
SOBRE O ESPLENDOR
DESSES DIAS

DAS MIÚDAS MOEDAS,
PARA O RICO MILHÃO

DAS ESTRELAS
PARA A CONSTELAÇÃO

DO GESTO MILIMÉTRICO
À EXPLOSÃO DO AMOR

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10 março, 2007

CRIANÇA-PRESENTE


















O futuro
é uma miragem
(nunca se alcança);

O presente, uma criança,
é o futuro de passagem;

O passado
uma lembrança
uma imagem
influente
na nossa esperança
na nossa coragem

!



um ponto exclama!
Convergem
brilhos, alares,
fluxos, fascínios,
verdes, olhares,
fortuitos desígnios
respingos solares
roubando da paisagem
o instante de fama

08 março, 2007

MULHER


Na vida
mesmo os momentos,
compactos,
recheados de espinhos
trazem a esperança na cor
quando há o olhar
da mulher
(afetuoso ou inquisidor)
Não há deserto que resista
quando há o molhar
da mulher
(lacrimoso ou de suor)
e o melhor
há: mar
a amealhar amor
quando há o doce-aliar
o conciliar
da mulher
seja em qual ilha a gente for

07 março, 2007

SAPÃO NOSSO DE CADA DIA








Principia toda estória

Como num passe de mágica

Cospe-se um "Era uma vez..."

(Olha-se para ver se crês)

Não falta passagem trágica

E a busca incessante da glória

Há, por onde passo,

Uma poça, um sapo,

Caso possas beijá-lo

Te aposses do resultado:

O príncipe encantado!

E terás que desposá-lo.

Ele: amará. Ela: paixão

E em meio às eternas crises

Para sempre felizes

Viverão






RUA DA PRAIA




Rua da praia
Tu não tens saia
Nem camelôs

Lá onde a sogra
comeu as sobras
e desmaiou

Não tem vitrines
Não tem ofertas
Liquidação

Líquido excerto
é o suco esperto
de cana e limão

Huuaa da praia
Parece um bocejo
O solfejo do mar

Não dançam sereias
Mas transam baleias
para procriar

Transitam corpos
suaves, suados,
corados e nus,

E o sol invade
é a felicidade
em sombras e luz








01 março, 2007

ÁGATA DE AGOSTO


















Calha é a folha
Gota sem gosto
Vermelho orvalha
Reflexo espalha
Espelha um rosto
Ágata de agosto

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28 fevereiro, 2007

26 fevereiro, 2007

FUTURO E PASSADO


Antes e depois
Vazio e cheio
Quente e frio
O que vai
e o que veio
Pré e pós
Saciedade e Desejo
Seriedade e gracejo
Um olho com fé
no futuro
Outro no café
passado

23 fevereiro, 2007

CORAGEM






DEPOIS QUE OLHARES TROCA
COM SOBRANCELHAS DE MAU
PESCOÇO TORCIDO A TODO GRAU
ALÇA VÔO SE AMEAÇO SUA TOCA

VEJA, MARUJO
DE CARA SUJA
URGE QUE FUJA
POIS VEM O CORUJO
AGE, À MARGEM,
O VÔO ARREMETE
E EM TÊTE-À-TÊTE
METE A CARA
E A CORAGEM
E A IMAGEM PÁRA

NO AR, NO OLHAR,
HÁ UMA SÚPLICA QUE ACEITO:
PRESERVAR, AO ADMIRAR,
UM POUCO DE RESPEITO!








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20 fevereiro, 2007

SINAL VERDE

Verde é o sim, o sinal
da vida que nos emana
no ninho de uma semana
imune ao vil do sol e do sal
No topo, no alto da trilha
instantânea maravilha
desponta, sem medo do igual
Fluxos de luz, brisa, energia,
sangue, silêncio, suor, alegria
Cruzam-se em canção imortal



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08 fevereiro, 2007

LÁPISEI


Ergui
milhares de grãos
com a alavanca dos dedos
com sucessivos medos
de ferí-los;
desenhei com os olhos
turbilhões de brilhos
em torno do escuro
e morno mar de mamilos;
elevei o sol, rebaixei a maré,
apaguei as estrelas
com o movimento
do casal de pálpebras
alquebradas;
deixei minha pegada na rocha,
o calor dos lábios, como tocha,
no dorso terso, no interior da coxa,
no cerne terno da caverna quase-roxa

02 fevereiro, 2007

23 janeiro, 2007

LU,A FACE OCULTA


Crês, sente
No movimento
amareólico
da membrana
que descortina o luar
à bochecha
sedosa e lisa,
o queixo, os cachos,
espirais à brisa
O cochicho
do mar o sentimento
selvagem
e doce, desde cedo
amável, sem medo
Irreprimível
Lindomável
Maravilhosa
MaraviLuisa

22 janeiro, 2007

A JANELA INVADE O MUNDO


AH
JANELA JADE
INVADE O MUNDO
CAPTURA DA VIDA
O MOVIMENTO E SEUS ASPECTOS:
DO MAR ,
ONDAS, ESPUMAS, DISTÂNCIAS;
DA VIDA,
GALHOS, FOLHAS, AVES E INSETOS
DO TEMPO,
O BALANÇAR DAS INFÂNCIAS

17 janeiro, 2007